Transmissão Automática 372L/LE

Como funciona o procedimento de teste de stall do conversor?

O teste de stall do conversor de torque é realizado para verificar a rotação máxima do motor com a alavanca seletora engatada em “D” ou “R”, permitindo avaliar o funcionamento do conversor de torque (incluindo a roda livre do estator), o desempenho do motor e a retenção das embreagens e freios da transmissão.


1. Preparação e Cuidados de Segurança

  • Segurança: Nunca permaneça na frente ou atrás do veículo durante a execução do teste.
  • Temperaturas operacionais: O fluido da transmissão automática deve estar na temperatura normal de trabalho (70 °C a 80 °C) e o líquido de arrefecimento do motor entre 80 °C e 90 °C.
  • Nível de fluido: Verifique se o nível do fluido da transmissão está correto antes de iniciar.
  • Calçamento: Instale calços nas rodas traseiras (esquerda e direita).
  • Tacômetro: Conecte um tacômetro ao motor para leitura precisa das rotações.

2. Procedimento Passo a Passo

  1. Aplicação dos freios: Acione totalmente o freio de estacionamento e o freio de serviço (pedal).
  2. Partida: Dê partida no motor.
  3. Teste em “D”: Posicione a alavanca seletora em “D”, pressione totalmente o pedal do acelerador e faça a leitura da rotação máxima atingida pelo motor.
  4. Teste em “R”: Coloque a alavanca em “R” e repita o procedimento.

Atenção: Nunca mantenha o acelerador totalmente pressionado por mais de 5 segundos. Caso necessite repetir o teste, mantenha o motor funcionando a cerca de 1.000 rpm na posição “D” para permitir o arrefecimento e a circulação do fluido antes da próxima medição.


3. Valores Padrão de Rotação de Stall

  • Motor 4G63: 2.100 a 2.400 rpm
  • Motor 4D56: 2.300 a 2.600 rpm

4. Avaliação e Diagnóstico dos Resultados

  • Rotação abaixo do valor nominal (em “D” e “R”):
    • Potência do motor baixa.
    • Falha na roda livre do conversor de torque (suspeite do conversor se a rotação estiver cerca de 600 rpm abaixo do especificado).
  • Rotação acima do valor nominal apenas na marcha “D”:
    • Deslizamento da embreagem da sobremarcha.
    • Defeito na roda livre da sobremarcha.
    • Deslizamento da embreagem de avanço.
    • Defeito na roda livre nº 2.
    • Pressão de linha baixa.
  • Rotação acima do valor nominal apenas na marcha “R”:
    • Deslizamento da embreagem da sobremarcha.
    • Defeito na roda livre da sobremarcha.
    • Deslizamento da embreagem direta.
    • Deslizamento do freio nº 3.
    • Pressão de linha baixa.

Qual é o procedimento do teste de pressão hidráulica?

s testes de pressão hidráulica na transmissão automática consistem no teste da pressão do governador e no teste da pressão da linha, sendo fundamentais para determinar causas de falhas no sistema.


1. Condições Prévias e Preparação

Antes de iniciar os testes hidráulicos, devem ser observadas as seguintes verificações:

  • Verificações de rotina: Confira o nível do fluido da transmissão e a condição/ajuste do cabo da borboleta.
  • Temperaturas de funcionamento:
    • Líquido de arrefecimento do motor: 80 °C a 90 °C
    • Fluido da transmissão: 70 °C a 80 °C

2. Teste da Pressão do Governador

Procedimento Passo a Passo:

  1. Coloque o veículo em um dinamômetro de chassi.
  2. Remova o bujão da porta de saída da pressão do governador.
  3. Insira a ferramenta especial de medição conforme indicado e posicione o manômetro/medidor dentro do veículo.
  4. Acione o freio de estacionamento.
  5. Dê partida no motor.
  6. Libere o freio de estacionamento.
  7. Coloque a alavanca seletora em “D” e meça a pressão do governador nas rotações (rpm) do eixo de saída.

Valores Padrão da Pressão do Governador:

  • 1.000 rpm (do eixo de saída): 137 a 166 kPa
  • 2.000 rpm (do eixo de saída): 245 a 284 kPa
  • 3.200 rpm (do eixo de saída): 402 a 460 kPa

Diagnóstico (Pressão fora do padrão):

Se a pressão do governador não estiver dentro dos valores especificados, as causas prováveis são:

  • Mau funcionamento da pressão na linha.
  • Vazamento de óleo no circuito do governador.
  • Mau funcionamento do próprio governador.

3. Valores Padrão da Pressão da Linha

A medição da pressão de linha é avaliada tanto em marcha lenta quanto na rotação de stall:

  • Em Marcha Lenta:
    • Posição “D”: 480 a 558 kPa
    • Posição “R”: 735 a 852 kPa
  • Em Rotação de Stall:
    • Posição “D”: 1.019 a 1.195 kPa
    • Posição “R”: 1.519 a 1.911 kPa

Como funciona o teste de rodagem?

O teste de rodagem é realizado para avaliar as condições de troca de marcha, a ocorrência de deslizamentos na transmissão e o funcionamento em cada posição da alavanca seletora.


1. Pré-requisitos e Preparação

  • Verificações Básicas: Antes de iniciar o teste, deve-se verificar e ajustar o nível do fluido da transmissão e a condição/ajuste do cabo do acelerador.
  • Caixa de Transferência: Deve ser colocada na posição 2H (2WC em alta) durante todo o teste de rodagem.

2. Etapas do Teste por Posição da Alavanca

Posição “D”

  • Mudanças Ascendentes: Com a aceleração em 50% e total, verifica-se se as trocas para cima (1ª→2ª, 2ª→3ª e 3ª→4ª) ocorrem nos pontos de velocidade corretos.
  • Kickdown: Trafegando em 2ª, 3ª ou 4ª marcha, acelera-se totalmente para checar se as reduções forçadas (ex.: 4ª→2ª, 3ª→2ª, 2ª→1ª) estão dentro dos limites estabelecidos.
  • Redução Manual: Trafegando em 3ª ou 4ª marcha, solta-se o pedal do acelerador e move-se a alavanca para L, verificando se as reduções ocorrem de imediato.
  • Freio-Motor: Avalia-se se o freio-motor atua corretamente ao mudar para as posições 2 e L.
  • Ruídos e Vibrações: Observa-se a presença de ruídos anormais em aceleração/desaceleração, choques durante o engate das marchas ou vibrações ao trafegar em 3ª ou 4ª.
  • Embreagem do Lock-up: Confere-se o momento exato em que o lock-up liga e desliga, observando o comportamento da rotação do motor.

Posição “2”

  • Confere-se se a mudança da 1ª para a 2ª marcha ocorre no ponto correto e se o kickdown de 2ª para 1ª funciona adequadamente.

Posição “L”

  • Verifica-se se a transmissão permanece travada na marcha baixa, garantindo que ela não faça mudanças ascendentes para a 2ª marcha.

Posição “R”

  • Avalia-se o comportamento da marcha ré e a rotação do motor em relação ao teste de stall.

Posição “P”

  • Estaciona-se o veículo em um local inclinado (inclinação maior que 5°) e soltam-se os freios de serviço e de estacionamento para confirmar a retenção do mecanismo de trava Park

Como funciona o corpo de válvulas?

O corpo de válvulas atua como a unidade central de controle hidráulico da transmissão automática, gerenciando a distribuição do fluido sob pressão para acionar os elementos mecânicos no momento correto.


1. Estrutura e Divisão do Conjunto

O conjunto do corpo de válvulas é dividido em três blocos principais:

  • Corpo de Válvulas Inferior
  • Corpo de Válvulas Dianteiro Superior
  • Corpo de Válvulas Traseiro Superior

Esses blocos são montados com uma placa separadora, juntas de vedação e contêm esferas de controle (de aço e de borracha) e molas que direcionam e amortecem o fluxo do fluido entre as galerias.


2. Principais Válvulas e Suas Funções

  • Válvula Manual: Conectada diretamente à alavanca seletora do veículo (posições P, R, N, D, 2, L), direciona o fluxo principal de óleo para os circuitos da posição selecionada.
  • Válvula Reguladora Primária e Secundária: Regulam a pressão de linha gerada pela bomba de óleo para mantê-la nos níveis especificados de trabalho.
  • Válvulas de Mudança (1-2, 2-3 e 3-4): Comutam as passagens hidráulicas para acionar ou liberar os pacotes de embreagens (C0, C1, C2) e freios (B0, B1, B2, B3) conforme as trocas de marcha ocorrem.
  • Válvula da Borboleta e Came da Borboleta: Acionada pelo cabo do acelerador, ajusta a pressão hidráulica proporcionalmente à carga do motor e gerencia o comando de kickdown.
  • Válvulas do Sistema de Lock-up e Solenóide: Em transmissões equipadas com embreagem de trava do conversor de torque, o corpo conta com a válvula do relé do lock-up, a válvula de sinal e a válvula solenóide da sobremarcha para controlar o acoplamento direto.
  • Válvula de Alívio de Pressão e Válvulas Moduladoras: Protegem o circuito contra sobrepressão e controlam a suavidade dos engates e desacelerações

Quais são as especificações de lubrificantes e fluidos?

As especificações de lubrificantes, fluidos e selantes aplicados à transmissão e à caixa de transferência incluem:

1. Lubrificantes e Fluidos

  • Fluido da Transmissão Automática:
    • Especificação: DEXRON-II ou equivalente.
    • Capacidade / Quantidade:
      • Modelo R4AW2: aproximadamente 6,8 litros.
      • Modelo V4AW2: aproximadamente 7,2 litros.
  • Óleo da Caixa de Transferência:
    • Especificação: Óleo de engrenagem hipóide SAE 75W90, 75W-85W ou 80W, conforme classificação API GL-4.
    • Capacidade / Quantidade: 2,3 litros.
  • Anel de Vedação do Tubo de Enchimento de Óleo:
    • Especificação: DEXRON-II ou equivalente (conforme necessário).

2. Selantes Especificados

  • Interruptor de temperatura do fluido da transmissão: ATD 3M – Peça nº 8660 ou equivalente (selante semi-seco).
  • Junta da alavanca de controle da transferência e suporte da capa da mola: ATD 3M – Peça nº 8661 ou equivalente (selante semi-seco).
  • Interruptor de temperatura de arrefecimento do motor: Trava-porca 3M nº 4171 ou equivalente (selante seco)

Qual é o procedimento de desmontagem do corpo de válvulas?

O procedimento de desmontagem do corpo de válvulas divide-se em uma etapa geral de separação dos blocos e na desmontagem detalhada de cada um dos seus três corpos principais:


1. Desmontagem Geral e Separação dos Blocos

  1. Remoção externa: Remova a mola de retenção e retire a válvula manual.
  2. Soltura dos corpos superiores: Inverta o conjunto e remova os dez (10) parafusos de fixação dos corpos de válvulas dianteiro superior e traseiro superior.
  3. Soltura do corpo inferior: Inverta novamente o conjunto e retire o jogo de parafusos do corpo de válvulas inferior.
  4. Remoção da placa separadora: Remova o corpo de válvulas inferior e a placa separadora levantando ambos ao mesmo tempo. (Atenção: Trabalhe com cuidado para evitar que a válvula e a esfera de controle caiam).

2. Desmontagem do Corpo de Válvulas Inferior

  1. Retire a placa do corpo de válvulas inferior e as juntas.
  2. Remova as esferas de controle, a esfera de controle de amortecimento, a mola, a esfera e mola de retorno do radiador de óleo, além da válvula de desvio do radiador com sua mola.
  3. Inverta o conjunto, remova os parafusos, a cobertura do corpo de válvulas inferior, a placa e a junta.
  4. Remova as quatro (4) esferas de controle (mantenha-as juntas para evitar perdas).
  5. Remova o retentor, a mola e a esfera da válvula de alívio de pressão.
  6. Em modelos equipados com embreagem lock-up:
    • Remova a placa, a junta, o retentor, o plugue, a luva e os componentes da válvula do relé do lock-up.
    • Com extremo cuidado (mola comprimida), remova o retentor, a luva, o êmbolo, a mola e a válvula reguladora primária.
    • Retire o pino posicionador, o plugue, a mola e a válvula de sinal do lock-up.
  7. Remova retentores, plugues, molas e válvulas das linhas de sincronização D-2, de mudança 3-4 e de mudança 1-2.
  8. Retire a placa de cobertura, plugues, pinos posicionadores e as válvulas de mudança por desaceleração (em baixa e em 3ª) e de controle 3-4.

3. Desmontagem do Corpo de Válvulas Dianteiro Superior

  1. Remova o retentor, o plugue e a válvula de corte.
  2. Solte um dos parafusos da cobertura e gire-a com cuidado (pois a força da mola é elevada) para remover a válvula reguladora secundária e sua mola.
  3. Gire o came da borboleta, remova o came, o retentor, o plugue de mudança para reduzida e a mola.
  4. Puxe o retentor e remova a válvula da borboleta com sua mola.

4. Desmontagem do Corpo de Válvulas Traseiro Superior

  1. Com uma pinça, remova as quatro esferas de controle (três esferas de borracha e uma esfera de aço).
  2. Remova retentores, plugues, molas e válvulas de mudança intermediária e de mudança 2-3.
  3. Deslize e gire gradualmente a cobertura traseira para remover em etapas:
    • A válvula moduladora de desaceleração em baixa e mola.
    • O plugue.
    • A válvula de seqüência da embreagem de ré e mola.
    • A válvula de modulação intermediária e mola.
  4. Remova o retentor, a mola e a válvula reguladora de retenção

Como é feita a montagem do corpo de válvulas?

A montagem do corpo de válvulas exige atenção ao alinhamento das juntas, posicionamento correto das esferas de controle e respeito à pressão de montagem das molas. O procedimento é dividido na montagem individual dos blocos e na união do conjunto.


1. Montagem do Corpo de Válvulas Inferior

  1. Válvulas de mudança e controle: Insira o plugue, a válvula de mudança por desaceleração em baixa, as válvulas de controle 3-4 e de desaceleração em 3ª, ajustando os plugues e pinos posicionadores.
  2. Sistema de Lock-up e Reguladora Primária (se equipado):
    • Monte a válvula de sinal do lock-up com sua mola, plugue e pino posicionador.
    • Insira a válvula reguladora primária e sua mola.
    • Encaixe o êmbolo na luva, insira a luva com o êmbolo e instale o retentor da válvula.
    • Monte a válvula do relé do lock-up, luva, controle, mola e a placa com junta apertada por 4 parafusos.
  3. Válvula de Alívio de Pressão: Instale a válvula de alívio, a mola e o retentor.
  4. Esferas de Controle e Cobertura:
    • Posicione as 3 ou 4 esferas de controle nas cavidades indicadas (esferas de 5,5 mm e 6,4 mm de diâmetro).
    • Instale a cobertura do corpo inferior com a junta do corpo e a junta da cobertura (a junta superior não pode ser substituída pela inferior). Aperte os parafusos de fixação.
  5. Esferas e Placa Separadora:
    • Instale a esfera de controle de amortecimento, as molas, a esfera de retorno e a válvula de desvio do radiador de óleo.
    • Instale as duas juntas do corpo e a placa separadora, apertando manualmente os dois parafusos do filtro para manter a válvula flutuante no lugar.

2. Montagem do Corpo de Válvulas Dianteiro Superior

  1. Válvula da Borboleta e Came:
    • Insira a válvula da borboleta na cavidade, lubrifique o retentor com vaselina e instale a mola na extremidade.
    • Instale a mola e o plugue de mudança para reduzida, travando o conjunto com o retentor.
    • Encaixe a mola no came da borboleta e monte o came no corpo de válvulas.
  2. Válvula Reguladora Secundária: Monte a mola e a válvula reguladora secundária, utilizando um parafuso para guiar a cobertura, pressionando a válvula com cuidado contra a força da mola até fechar e apertar os parafusos.
  3. Válvula de Corte: Insira a válvula de corte, o plugue e o retentor lubrificado.

3. Montagem do Corpo de Válvulas Traseiro Superior

  1. Válvulas Reguladoras e Moduladoras:
    • Instale a válvula reguladora de retenção (extremidade arredondada para baixo), a mola e comprima o retentor.
    • Insira a válvula de modulação intermediária e sua mola.
    • Deslize parcialmente a cobertura traseira e instale a válvula de seqüência da embreagem de ré com mola e plugue.
    • Insira a válvula moduladora de desaceleração em baixa com mola e aperte os parafusos da cobertura.
  2. Válvulas de Mudança:
    • Monte a válvula de mudança 2-3 (extremidade menor para baixo) e o plugue.
    • Instale a mola, a válvula de mudança intermediária, o plugue e o retentor.
  3. Esferas de Controle: Posicione as esferas de aço indicadas e as três esferas de borracha idênticas em seus devidos alojamentos.

4. União e Montagem Geral dos Blocos

  1. Junta Traseira: Instale uma nova junta no corpo de válvulas traseiro superior, alinhando pelo ângulo inferior direito (verifique se a junta é idêntica à original).
  2. União do Corpo Inferior e Traseiro Superior: Posicione o corpo inferior com a placa sobre o corpo traseiro superior e fixe ligeiramente com 3 parafusos.
  3. Aperto do Bloco Traseiro: Inverta o conjunto, verifique o alinhamento da junta e aperte os 5 parafusos do corpo traseiro superior. Remova o parafuso apertado ligeiramente da placa.
  4. Acoplamento com o Corpo Dianteiro Superior: Posicione os corpos traseiro e inferior sobre o corpo dianteiro superior. Encoste os parafusos manualmente para prender o conjunto.
  5. Aperto Final e Torqueamento:
    • Inverta o conjunto e encoste os 5 parafusos do corpo dianteiro superior.
    • Verifique o alinhamento de todas as juntas e aperte os parafusos do corpo dianteiro e traseiro superior até o torque especificado.
    • Inverta e torqueie os parafusos do corpo inferior.
  6. Válvula Manual: Insira a válvula manual no corpo e instale a mola de retenção, apertando os parafusos no torque especificado

Qual é o procedimento de desmontagem da bomba de óleo?

O procedimento de remoção e desmontagem da bomba de óleo envolve a retirada do conjunto da carcaça da transmissão e a separação de seus componentes internos.


1. Remoção da Bomba de Óleo da Transmissão

  1. Retire os parafusos de fixação da bomba de óleo.
  2. Remova o conjunto da bomba de óleo utilizando a ferramenta especial adequada.

2. Componentes da Bomba de Óleo

O conjunto da bomba de óleo é composto por:

  1. Suporte do estator
  2. Anel “O”
  3. Engrenagem motriz da bomba de óleo
  4. Engrenagem movida da bomba de óleo
  5. Anéis de vedação
  6. Vedador de óleo
  7. Corpo da bomba de óleo

3. Desmontagem Interna e Cuidados

  1. Remoção das Engrenagens: Remova a engrenagem motriz e a engrenagem movida do corpo da bomba de óleo.
  2. Marcação de Alinhamento: Faça marcas de alinhamento nas engrenagens removidas com um marcador de feltro (ou ferramenta similar) para garantir que sejam montadas exatamente na mesma posição.
  3. Vedadores: Remova o vedador de óleo e os anéis de vedação para inspeção ou substituição.

4. Inspeções e Medições Durante a Desmontagem

  • Folga Lateral das Engrenagens: Utilize uma régua e um cálibre de folga para medir a folga lateral entre as engrenagens e o corpo da bomba.
    • Valor Padrão: 0,02 a 0,05 mm
    • Limite MÁXIMO: 0,1 mm
  • Suporte do Estator: Inspecione a superfície do suporte do estator que faz contato com as engrenagens quanto a danos ou desgastes acentuados.

Como funciona o conjunto da engrenagem planetária da sobremarcha?

O conjunto da engrenagem planetária da sobremarcha (overdrive) tem a função de transmitir a rotação do motor diretamente para o restante da transmissão (relação 1:1) nas marchas inferiores ou multiplicar a rotação de saída (relação de sobremarcha) na 4ª marcha.


1. Como Funciona o Conjunto nas Marchas

O funcionamento varia conforme a marcha selecionada através da atuação combinada da embreagem C0, do freio B0 e da roda livre F0:

  • Em 1ª, 2ª, 3ª Marchas, Ré, Neutro e Park:
    • A embreagem do overdrive (C0) permanece aplicada, unindo o carregador planetário à engrenagem solar do overdrive.
    • A roda livre do overdrive (F0) trava a rotação relativa no sentido anti-horário.
    • Com isso, todo o conjunto planetário gira travado como um bloco único na proporção 1:1 (drive direto), repassando o torque integralmente para a seção principal da transmissão.
  • Na 4ª Marcha (Sobremarcha / Overdrive – Posição D4):
    • A embreagem C0 é liberada e o freio da sobremarcha (B0) é ativado, imobilizando a engrenagem solar contra a carcaça da transmissão.
    • O movimento de entrada impulsiona o carregador planetário. Como a engrenagem solar está travada pelo freio B0, os pinhões (satélites) giram ao redor dela, fazendo com que a engrenagem anelar gire a uma rotação mais alta que a do motor.
    • Isso resulta em uma relação de redução/multiplicação de 0,730 (motor 4G63) ou 0,688 (motor 4D56).

2. Componentes Principais do Conjunto

O conjunto é composto pelos seguintes elementos internos:

  • Engrenagem planetária da sobremarcha (carregador planetário contendo 4 pinhões/satélites com plugues do eixo).
  • Conjunto da embreagem de roda livre (F0), pista externa, retentor e anéis-trava.
  • Arruela de apoio (com ranhura para óleo) e rolamentos/pistas de apoio.

3. Inspeção e Teste Prático de Funcionamento (Roda Livre F0)

Durante a montagem ou bancada, o teste da roda livre da planetária é realizado da seguinte forma:

  1. Segure o cilindro da embreagem com a mão.
  2. Gire o eixo de entrada para a direita (sentido horário): o eixo deve girar suavemente.
  3. Gire o eixo no sentido contrário (anti-horário): o conjunto deve travar completamente

Como funciona o freio da sobremarcha?

O freio da sobremarcha (B0) é o elemento de fricção encarregado de imobilizar a engrenagem solar do conjunto planetário da sobremarcha contra a carcaça/alojamento da transmissão.


1. Função e Princípio de Funcionamento

  • Atuação em 4ª Marcha (D4): O freio B0 é aplicado exclusivamente quando a transmissão muda para a 4ª marcha. Nela, a embreagem da sobremarcha (C0) é liberada e o freio B0 é ativado.
  • Geração da Relação de Overdrive: Ao travar a engrenagem solar, o movimento de entrada proveniente do motor aciona o carregador planetário; os pinhões/satélites giram ao redor da solar travada e fazem a engrenagem anelar girar em uma rotação mais alta do que a do motor, multiplicando a rotação de saída.
  • Outras Marchas (1ª, 2ª, 3ª, R, N, P): O freio B0 permanece desativado.

2. Acionamento Hidráulico e Componentes

O acionamento do freio B0 ocorre por pressão de fluido aplicada no alojamento da sobremarcha:

  1. A pressão hidráulica empurra o pistão do freio contra a força da mola de retorno.
  2. O pistão prensa o pacote composto pela placa amortecedora, placas de freio, discos de freio e o flange contra o anel-trava.
  3. O atrito entre os discos internos (estriados à solar) e as placas externas (fixas à carcaça) trava a rotação da engrenagem solar.

3. Especificações e Folga Nominal de Serviço

A medição da folga do freio B0 é realizada com um cálibre de folga posicionado entre o anel-trava e o flange:

  • Pacote de 2 discos: 0,56 a 1,92 mm.
  • Pacote de 3 discos: 0,65 a 2,21 mm

Qual é o procedimento de inspeção da embreagem direta?

A inspeção da embreagem direta (C2) envolve a verificação visual do pistão e da esfera de controle, a correta montagem do pacote de discos/flange e a medição do curso de acionamento do pistão.


1. Inspeção do Pistão da Embreagem Direta

  • Esfera de Controle (Check Ball): Agite o pistão manualmente e verifique se a esfera de controle se movimenta livremente no seu interior.
  • Teste de Vedação: Aplique ar comprimido a baixa pressão na válvula do pistão para confirmar que não há vazamentos.
  • Anéis de Vedação (O-rings): Inspecione os anéis “O” do pistão (interno e externo) quanto a cortes, ressecamento ou deformações, substituindo-os se necessário.

2. Verificação de Posição dos Componentes

  • Ao montar as placas e discos de fricção alternados, certifique-se de instalar o flange final com a extremidade plana voltada para baixo antes de travar com o anel-trava.

3. Medição do Curso do Pistão (Com Relógio Comparador)

  1. Montagem de bancada: Instale o conjunto da embreagem direta sobre o suporte central.
  2. Instalação do medidor: Posicione a haste de um relógio comparador sobre a superfície de acionamento.
  3. Aplicação de pressão: Aplique e libere ar comprimido a uma pressão de 400 a 800 kPa (4 a 8 kg/cm² / 58 a 116 psi) na cavidade de óleo do suporte central.
  4. Leitura do curso: Meça o deslocamento indicado no relógio comparador durante a aplicação do ar comprimido.

4. Valores Padrão do Curso do Pistão (C2)

  • Pistão Simples: 0,91 a 1,99 mm (0,036 a 0,078 pol.)
  • Pistão Duplo: 1,06 a 2,14 mm (0,042 a 0,084 pol.)

Como é feita a inspeção do freio número 3?

A inspeção do Freio nº 3 (B3) — responsável por travar o carregador planetário traseiro nas posições de ré e marcha baixa — envolve a desmontagem do conjunto, teste pneumático de remoção e acionamento dos pistões, verificação dos anéis de vedação e medição da folga de trabalho.


1. Componentes do Conjunto

O Freio nº 3 fica alojado diretamente na carcaça da transmissão e é composto por:

  • Anel-trava e retentor da mola.
  • Mola de retorno.
  • Pistão primário e pistão secundário.
  • Luva de reação.
  • Anéis “O” de vedação do conjunto.

2. Procedimento de Remoção e Inspeção

  1. Desmontagem do Anel-Trava: Comprima as molas utilizando ferramentas especiais e retire o anel-trava do retentor.
  2. Remoção Pneumática dos Pistões:
    • Apoie a carcaça da transmissão na bancada com a extremidade dianteira voltada para baixo.
    • Coloque panos de proteção abaixo da carcaça para amortecer a saída dos componentes.
    • Aplique ar comprimido nas cavidades de óleo do pistão primário e do pistão secundário para expulsar os pistões e a luva de reação do alojamento.
  3. Inspeção Visual: Verifique o estado dos anéis “O” quanto a cortes ou deformações e examine as superfícies de deslizamento dos pistões e das cavidades da carcaça.

3. Teste Hidráulico/Pneumático e Especificação de Folga

  • Teste com Ar Comprimido: Aplique ar comprimido de baixa pressão na passagem de óleo correspondente ao Freio nº 3 e confirme se o acionamento do pistão produz o som característico de funcionamento suave e sem vazamentos.
  • Folga Padrão de Serviço: O valor nominal da folga do Freio nº 3 (B3) é de 0,61 a 2,64 mm (0,024 a 0,104 pol.).

4. Cuidados na Montagem

  • Ao instalar o anel-trava, comprima a mola com a ferramenta especial e encaixe o anel com a mão.
  • Verifique se o anel-trava ficou perfeitamente assentado e centrado junto às três lingüetas do retentor da mola

Como funciona a embreagem de marcha a frente?

A embreagem de marcha a frente (C1) é um dos componentes de fricção fundamentais da transmissão automática, responsável por conectar o eixo de entrada diretamente à engrenagem anelar dianteira.


1. Atuação e Funcionamento nas Marchas

  • Aplicação Continua: A embreagem C1 permanece aplicada em todas as posições e marchas à frente (D1, D2, D3, D4 e L).
  • Inoperante: Permanece desativada nas posições de Park (P), Ré (R) e Neutro (N).
  • Transferência de Torque: Ao engatar qualquer marcha à frente, a pressão hidráulica atua no cilindro da embreagem C1, acoplando o eixo de entrada ao trem planetário dianteiro para permitir a tração e movimentação do veículo.

2. Componentes do Conjunto (C1)

O conjunto da embreagem de marcha a frente é composto por:

  • Cilindro e pistão da embreagem de marcha a frente com anéis “O” de vedação.
  • Retentor e mola de retorno da embreagem.
  • Pacote de discos de fricção e placas de embreagem alternados (4 placas para veículos equipados com motores 4G63 e 4D56).
  • Cubo da embreagem de marcha a frente e cubo da embreagem direta.
  • Rolamentos e pistas de apoio.

3. Inspeção e Teste do Pistão

  • Esfera de Controle (Check Ball): Durante a manutenção, deve-se agitar o pistão manualmente para confirmar que a esfera de controle interna se movimenta livremente.
  • Estanqueidade: Aplica-se ar comprimido a baixa pressão na válvula do pistão para garantir que não existam vazamentos nos anéis de vedação.

4. Medição do Curso do Pistão (Com Relógio Comparador)

O teste do curso de acionamento do pistão da embreagem C1 é realizado montando o conjunto no alojamento da sobremarcha e aplicando ar comprimido a uma pressão de 400 a 800 kPa (4 a 8 kg/cm² / 58 a 116 psi):

  • Pacote com 4 discos: 1,32 a 2,66 mm.
  • Pacote com 5 discos: 1,43 a 2,93 mm.

Como funciona a embreagem do lock-up?

A embreagem do lock-up (ou embreagem de trava do conversor de torque) fica instalada no interior do próprio conversor de torque. Sua função principal é criar uma ligação mecânica direta entre o motor e a transmissão.


1. Função e Princípio de Funcionamento

  • Operação Convencional (Lock-up Desligado): A força do motor é transmitida para a transmissão através do fluido hidráulico em circulação dentro do conversor de torque. Nesse modo, ocorre um deslizamento natural, resultando em maior rotação do motor em relação à transmissão.
  • Operação com Lock-up (Lock-up Ligado): A embreagem do lock-up é pressionada contra a carcaça do conversor de torque, travando o conjunto. Isso elimina o deslizamento do fluido e faz com que a rotação do motor seja transmitida integralmente (relação 1:1) para o eixo de entrada da transmissão. O resultado é maior eficiência de combustível e menor aquecimento do fluido.

2. Controle Hidráulico e Eletrônico

Nas transmissões equipadas com esse sistema, o gerenciamento é feito por componentes específicos no corpo de válvulas e pela unidade de controle:

  • Corpo de Válvulas Inferior: Conta com a válvula do relé do lock-up, a válvula de controle do relé e a válvula de sinal do lock-up.
  • Sinais de Comando: A unidade de controle monitora os sinais do sensor de velocidade do veículo e do interruptor/sensor de abertura da borboleta do acelerador para determinar o exato momento de acionar ou desacoplar a trava.
  • Fluxo do Fluido: Ao atingir a condição ideal, a pressão de óleo é direcionada para empurrar o disco de trava contra a carcaça. Ao desativar, o fluxo de fluido se inverte, liberando o disco.

3. Condições de Atuação no Veículo

  • Momentos de Engate: O lock-up engata em velocidades de cruzeiro mais elevadas (geralmente em 3ª ou 4ª marcha) quando a abertura do acelerador está estável.
  • Desengate Automático: Ao pressionar o acelerador para exigir mais força (ultrapassagem ou subida) ou ao reduzir a velocidade/frenagem, o sistema desativa o lock-up instantaneamente. Isso libera o conversor para operar via fluido, multiplicando o torque do motor e elevando a rotação.

Quais são as relações de marcha da V4AW2?

As relações de marcha da transmissão V4AW2-6 (utilizada em veículos com motor 4D56) são as seguintes:

1. Relações da Transmissão Automática

  • 1ª marcha: 2,826
  • 2ª marcha: 1,493
  • 3ª marcha: 1,000
  • 4ª marcha (Sobremarcha / Overdrive): 0,688
  • Ré: 2,703

Na transmissão R4AW2-6 com motor 4G63, a 4ª marcha possui relação de 0,730, enquanto na V4AW2-6 ela é mais longa, de 0,688).


2. Relações da Caixa de Transferência (2 Velocidades)

  • Alta (High / 2H e 4H): 1,000
  • Baixa (Low / 4L – Reduzida): 1,925

3. Relação da Engrenagem do Velocímetro

  • Movida / Motora: 25/8

Quais são as especificações e torques da bomba de óleo?

As especificações de torque, folgas e dimensões limite das buchas para a bomba de óleo da transmissão automática são as seguintes:


1. Torques de Aperto

  • Parafuso de instalação do conjunto da bomba de óleo (na carcaça): 22 Nm (2,2 mkg / 16 lb-pé).
  • Parafuso de ajuste/fixação do corpo e suporte do estator: 7,5 Nm (0,75 mkg / 5,4 lb-pé) conforme tabela (ou 6 a 8 Nm conforme vista explodida do conjunto).
  • Vedador de rosca: Na montagem, deve-se aplicar o vedador 3M ART Peça Nº 8660 (ou equivalente) nos parafusos.

2. Especificações de Folga de Serviço

  • Folga lateral das engrenagens motriz/movida da bomba:
    • Valor padrão: 0,02 a 0,05 mm.
    • Limite máximo: 0,1 mm.
  • Folga final do eixo de entrada (após instalação da bomba): 0,3 a 0,9 mm.

3. Diâmetros Internos das Buchas

  • Bucha do corpo da bomba de óleo:
    • Valor padrão: 38,113 a 38,138 mm.
    • Limite de desgaste: 38,188 mm.
  • Bucha do suporte do estator (dianteiro):
    • Valor padrão: 21,501 a 21,527 mm.
    • Limite de desgaste: 21,577 mm.
  • Bucha do suporte do estator (traseiro):
    • Valor padrão: 23,025 a 23,051 mm.
    • Limite de desgaste: 23,101 mm.

Como funciona o corpo de válvulas?

O corpo de válvulas é a unidade hidráulica responsável por controlar e direcionar a pressão do fluido para acionar ou liberar os pacotes de embreagens e freios da transmissão automática no momento adequado.


1. Divisão Estrutural

O conjunto é dividido em três blocos principais interconectados por juntas de vedação e uma placa separadora:

  • Corpo de Válvulas Inferior: Contém a válvula manual, a válvula reguladora primária, válvulas de mudança (1-2 e 3-4), válvulas de sincronização/controle, válvula de alívio de pressão e, em modelos equipados com trava do conversor, a válvula do relé e a válvula de sinal do lock-up.
  • Corpo de Válvulas Dianteiro Superior: Acolhe a válvula da borboleta e o came da borboleta (ligados ao cabo do acelerador), a válvula reguladora secundária, o plugue de mudança para reduzida e a válvula de corte.
  • Corpo de Válvulas Traseiro Superior: Aloja as válvulas de mudança 2-3 e intermediária, a válvula reguladora de retenção, a válvula moduladora intermediária, a válvula de sequência da embreagem de ré e a válvula moduladora de desaceleração em baixa.

2. Válvulas Principais e Modo de Operação

  • Válvula Manual: Seleciona as galerias hidráulicas principais conforme a posição da alavanca de marchas (P, R, N, D, 2, L) escolhida pelo motorista.
  • Válvula Reguladora Primária: Estabiliza e regula a pressão de linha gerada pela bomba de óleo.
  • Válvula e Came da Borboleta: Ajustam a pressão hidráulica proporcionalmente à abertura do acelerador, regulando a suavidade das trocas e o comando de kickdown.
  • Válvulas de Mudança (1-2, 2-3, 3-4): Comutam a passagem de óleo sob pressão para acionar ou liberar as embreagens (C0, C1, C2) e freios (B0, B1, B2, B3).
  • Esferas de Controle (Aço e Borracha): Atuam como válvulas de retenção e direcionamento de sentido único nas passagens da placa separadora.

3. Versões do Corpo de Válvulas

O manual especifica duas versões para o conjunto:

  • Com Embreagem Lock-up: Possui galerias e componentes adicionais (válvula do relé do lock-up e válvula de sinal do lock-up) para gerenciar o acoplamento mecânico do conversor de torque.
  • Sem Embreagem Lock-up: Estrutura simplificada sem os circuitos dedicados à trava do conversor.

Como funciona o sistema de controle hidráulico?

O sistema de controle hidráulico é o circuito responsável por gerar, regular e distribuir o fluido sob pressão para gerenciar automaticamente as trocas de marcha e o acoplamento do conversor de torque.

Ele opera integrando forças mecânicas, pressões hidráulicas de sinal e comandos elétricos:


1. Geração e Regulação Principal de Pressão

  • Pressurização Primária: A bomba de óleo, acionada diretamente pelo motor, capta o fluido do cárter através do filtro e gera o fluxo sob pressão para todo o sistema.
  • Pressão de Linha: A válvula reguladora primária (no corpo inferior) estabiliza a pressão de linha principal conforme as exigências do sistema.
  • Pressão do Conversor e Lubrificação: A válvula reguladora secundária (no corpo dianteiro superior) ajusta a pressão de óleo direcionada ao conversor de torque e ao circuito do radiador de arrefecimento.

2. Pressões de Sinal (Sinais de Carga e Velocidade)

O momento exato das trocas de marcha é determinado pelo equilíbrio hidráulico entre dois sinais opostos:

  • Pressão da Borboleta (Sinal de Carga): Regulada pela válvula da borboleta e o came acoplado ao cabo do acelerador, esta pressão aumenta à medida que o motorista pressiona o pedal do acelerador.
  • Pressão do Governador (Sinal de Velocidade): Gerada pelo governador montado no eixo de saída da transmissão, cria uma pressão hidráulica que cresce proporcionalmente à velocidade do veículo.

3. Distribuição e Comutação das Marchas

  • Válvula Manual: Posicionada pela alavanca seletora (P, R, N, D, 2, L), a válvula manual direciona a pressão de linha para os canais hidráulicos correspondentes à opção do condutor.
  • Válvulas de Mudança (1-2, 2-3 e 3-4): Quando a pressão do governador supera a pressão da borboleta e a força das molas de retorno, o carretel da respectiva válvula de mudança se desloca.
  • Acionamento dos Elementos: O deslocamento da válvula abre a passagem do fluido pressurizado para os acumuladores e para os pistões das embreagens (C0, C1, C2) e freios (B0, B1, B2, B3), promovendo o engate ou liberação da marcha.

4. Controle de Sobremarcha e Lock-up

  • Controle da 4ª Marcha (Overdrive): A troca para a 4ª marcha utiliza a válvula solenóide da sobremarcha acionada por relé/unidade de controle, que avalia o sinal do sensor de velocidade do veículo e do interruptor da borboleta para liberar ou bloquear o circuito da válvula de mudança 3-4.
  • Circuito do Lock-up (se equipado): As válvulas de sinal e do relé do lock-up alternam a direção do fluxo de fluido no interior do conversor de torque, aplicando a embreagem de trava para conectar mecanicamente o motor ao eixo de entrada.

Como funciona o sistema de transferência?

O sistema de caixa de transferência (acoplado à saída da transmissão automática em veículos 4WD, como no modelo V4AW2) é responsável por redistribuir o torque do motor entre os eixos traseiro e dianteiro, além de disponibilizar opções de redução de marcha para terrenos de baixa aderência ou fortes aclives.


1. Relações de Transmissão

A caixa de transferência atua com duas velocidades:

  • Alta (High / 2H e 4H): Relação 1,000 (transmissão direta 1:1).
  • Baixa (Low / 4L – Reduzida): Relação 1,925 (multiplica o torque de saída da transmissão).

2. Componentes e Modo de Operação

O gerenciamento do fluxo de força é acionado pela alavanca de controle da transferência:

  • Seleção de Tração (2WD / 4WD): Ao engatar a tração nas quatro rodas, a luva do sincronizador de 2WD-4WD acopla a engrenagem motora à corrente de acionamento, transmitindo torque ao eixo de saída dianteiro.
  • Seleção de Alta / Baixa: A luva de alta e baixa comuta entre a transmissão direta proveniente do eixo de entrada e o engrenamento com a engrenagem de baixa velocidade.
  • Mecanismo de Interbloqueio: O conjunto conta com pistas de mudança e um êmbolo de travamento para impedir o deslocamento incorreto entre o modo 2WD/4WD e a reduzida.

3. Configurações da Caixa de Transferência

O manual detalha duas arquiteturas principais para o sistema:

  • 4WD Parcial (Part-Time): Conecta os eixos dianteiro e traseiro de forma rígida através da corrente de acionamento ao selecionar 4WD.
  • Super-Select 4WD: Configuração que conta com diferencial central, acoplamento viscoso e cubo de travamento do diferencial. Esse sistema permite a variação de rotação entre os eixos ao trafegar no asfalto em 4H ou o bloqueio rígido do diferencial central para uso severo fora de estrada.

4. Especificações de Lubrificação

  • Tipo de Óleo: Óleo de engrenagem hipóide SAE 75W90, 75W-85W ou 80W (classificação API GL-4).
  • Capacidade: 2,3 litros.

Como funciona o diferencial central?

O diferencial central é um componente exclusivo dos veículos equipados com a caixa de transferência Super-Select 4WD (modelos de transmissão V4AW2-3 e V4AW2-7). Ele permite a utilização da tração nas quatro rodas em qualquer tipo de piso, inclusive no asfalto seco.


1. Função e Princípio de Funcionamento

  • Compensação de Rotação (Modo 4H): Ao contrário dos sistemas de tração parcial (part-time), o diferencial central absorve a diferença de velocidade entre as rodas dianteiras e traseiras durante curvas ou manobras no asfalto em modo 4H (4WD integral).
  • Acoplamento Viscoso (VCU): O diferencial central opera integrado a um acoplamento viscoso. Quando ocorre perda de aderência em um dos eixos (deslisamento excessivo), o VCU limita essa diferença de rotação, transferindo torque automaticamente para o eixo com maior tração.

2. Componentes Internos do Conjunto

O conjunto do diferencial central é constituído por:

  • Alojamento do diferencial central (dividido em carcaça dianteira e traseira).
  • Conjunto de engrenagens internas: pinhões, eixo do pinhão, pinos e arruelas de apoio de encosto.
  • Cubo de travamento do diferencial: luva acionada pela alavanca da transferência para efetuar o bloqueio mecânico rígido.

3. Modos de Operação e Bloqueio

  • Posição 4H (Livre / Viscoso): O diferencial atua livremente, contando com o auxílio do acoplamento viscoso para controle do deslizamento.
  • Posição 4HLc e 4LLc (Bloqueado): O cubo de travamento do diferencial é engatado mecanicamente. Ao travar a caixa do diferencial central, a distribuição de torque passa a ser rígida de 50% na dianteira e 50% na traseira, ideal para transitar em pisos de baixa aderência (lama, areia ou aclives severos).

4. Especificações de Montagem e Serviço

  • Torque de Aperto da Caixa do Diferencial Central: 65 Nm (6,5 mkg / 47 lb-pé).
  • Folga Final do Diferencial Central: 0,025 a 0,150 mm (modelos Super Select até nov/1992).
  • Folga do Cubo de Travamento do Diferencial: 0 a 0,08 mm.

Quais são as especificações da engrenagem planetária dianteira?

As especificações e procedimentos de montagem e inspeção do conjunto da engrenagem planetária dianteira abrangem a composição dos componentes internos, o alinhamento das arruelas, o teste da roda livre e as tolerâncias dimensionais.


1. Componentes do Conjunto

A engrenagem planetária dianteira é composta pelos seguintes elementos:

  1. Arruela de apoio (náilon)
  2. Arruela de apoio (aço)
  3. Pista interna da embreagem de roda livre
  4. Anel de retenção
  5. Embreagem de roda livre
  6. Arruela de apoio (náilon)
  7. Engrenagem planetária dianteira

2. Orientação de Montagem

  • Arruela de Apoio: Deve ser posicionada obrigatoriamente com a ranhura de óleo voltada para cima.
  • Embreagem de Roda Livre: Ao ser instalada no corpo da engrenagem planetária dianteira, deve-se garantir que a indicação “Frente” esteja na posição/direção correta.

3. Inspeção do Funcionamento da Roda Livre

Para testar a embreagem de roda livre montada na planetária dianteira:

  1. Fixe a pista interna manualmente.
  2. Gire a engrenagem no sentido anti-horário: deve girar suavemente (Livre).
  3. Gire a engrenagem no sentido horário: o conjunto deve travar firmemente.

4. Especificações de Tolerância da Bucha (Engrenagem Solar)

A engrenagem solar que trabalha associada às planetárias dianteira e traseira possui as seguintes tolerâncias para o diâmetro interno da bucha:

  • Valor padrão: 21,501 a 21,527 mm (0,8465 a 0,8475 pol.)
  • Limite máximo de desgaste: 21,577 mm (0,8495 pol.)

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